Japão é o 4º país com melhor educação mas sofre com o suicídio

21.05.17 – O ensino escolar no Japão é totalmente diferente do Brasil. O país segue um padrão mais tradicional e rígido, principalmente quando se trata de disciplina e  respeito. Lá, o ano letivo inicia no mês de abril e termina no começo de março, todos os alunos tem recesso de verão, primavera e feriados prolongados.

Ensino no Japão

A vida escolar no Japão inicia no Youtien que vai dos 3 aos 5 anos e não é obrigatória. No Brasil essa fase é o equivalente ao Jardim de infância. A partir dos 6 anos de idade as crianças ingressam no Shōgakko, que é o ensino fundamental e tem a duração de 5 anos.

Retirado de: Japão em Foco

Já aos 12 anos de idade, os alunos passam para o ensino médio que é o Chūgakko, uma fase obrigatória no ensino japonês. Dos 16 aos 18 anos vão para o kōtōgakkō, que é uma Escola Secundária não obrigatória. Geralmente a faculdade se inicia aos 19 anos. Uma curiosidade é que filhos de estrangeiros não são obrigados a estudarem no país, muitos pais optam por escolas brasileiras também, mas infelizmente o índice de evasão escolar lá é grande.

Stefanny Nakajima, brasileira que mora no Japão a dois anos conta que, acha interessante as escolas japonesas incluírem matérias como música, artesanato, economia doméstica e estudos ambientais. É uma forma de inserir as crianças no mundo cultural e também de incluir no ensino atividades que podem torna-los bons cidadãos. Porém essas matérias são obrigatórias.

Crianças independentes!

Desde o momento em que inicia o processo de alfabetização as crianças são estimuladas a cooperar nas tarefas de limpeza, cuidar da horta, conservação e organização do espaço comum e até mesmo a ajudar os mais novos.

A escola geralmente não possui refeitório, as refeições são feitas dentro da própria sala de aula. Stéfanny conta que, cada dia um grupo é escolhido para ser responsável pela organização e distribuição da merenda, que inclusive é a mesma servida para todos. As crianças também se revezam para fazer a limpeza da sala ao final, tudo com a supervisão da sensei (professora).

A partir do primeiro ano do shougakko os alunos vão sozinhos para a escola, na verdade, sozinhos dos pais, as crianças vão com o grupo da escola. Cada bairro tem o seu grupinho e os mais velhos vão direcionando os mais novos. Em cada travessia há um adulto responsável pelo bairro controlando o trânsito, para segurança das crianças. Para que isso aconteça, desde o Youtien as crianças tem palestras e aulas práticas de como andar na rua com segurança e atenção. (Confira a Matéria feita pelo G1)

Stefanny, que é mãe do Daniel que estuda o ultimo ano do Youtien, conta o que acha sobre essas atividades.

“ Eu acho importante cultivar senso de responsabilidade nas crianças para que no futuro se tornem conscientes e tenham autonomia. Eu vejo pelo meu filho que se sente feliz e importante ao realizar as tarefas, ele tem orgulho de fazer  parte disso.”

4º País com Melhor Ensino

Não é atoa que o Japão está no 4º lugar do Hanking do mundial de educação de PISA, enquanto isso o Brasil se encontra na 63º colocação. Esse estudo realizado pela  Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acontece de três em três anos, esses dados foram divulgados no ano de 2015 através da coleta de resultados das provas de 70 países. Foram avaliadas três disciplinas sendo elas ciências, leitura e matemática, com o resultado obtiveram as médias dos principais países que podemos observar abaixo.

Excesso de padronização?

Sendo um país muito organizado de modo geral, o momento escolar também segue algumas padronizações. Uma delas é o uso de uniformes, que são vistos muito além do que uma simples roupa. Ele geralmente passa a ser obrigatório a partir do ensino médio mas, segundo Stefanny, isso depende de província para província.

“No youtien em que o Daniel estuda o uniforme completo e o boshi (chapéu) são obrigatórios.“ 

As mochilas escolares também são padronizadas. Ela é conhecida como Randoseru e é usada por todos os alunos a partir do Shougakkō. Ela possui o mesmo modelo, com variações de cores e estampas, custa em média 30 Mil ienes o equivalente a 300 dólares. Stefanny comenta que o Dani ainda não a usa pois esta no infantil, porém, todas mesmo nessa fase, todas as mochilas  são iguais.

Japão é o 4º país com melhor educação mas sofre com o suicídio

Notamos que as crianças desde muito cedo possuem rotinas difíceis, além de viverem em constante padronização, vinda de todos os lados. Será que, essa busca excessiva pelo ‘correto”  não prejudica a formação da criança? Será que ela não é impedida de pensar e ser livre e até mesmo de fazer escolhas? Esse conjunto de fatores indica que sim! É no período escolar em que o numero de casos aumentam. Segundo Stefanny, no Japão a escola é tão responsável pela criança quanto seus pais, mas isso nem sempre funciona na prática, ela completa dizendo que:

“Existem muitos casos de suicídio por conta do  bullying (ijime). A pressão social também é outro fator…  Infelizmente a falta de comunicação em algumas famílias e muitas vezes a inércia das escolas diante desses casos, acaba levando alguns jovens a esse extremo. É muito triste!”

Segundo a BBC a volta as aulas do segundo semestre, 1º de setembro, é o dia em que mais jovens se suicidam no Japão. De 1972 a 2013, mais de 18 mil crianças se suicidaram. Em uma média anual foram constatados 92 casos no dia 31 de agosto, 131 casos no dia 1º  e 94 no dia 2 de setembro.

As duas faces

Assim como tudo no mundo, o ensino japonês possui seus prós e contras, lados bons e ruins. Os números de suicídio no país infelizmente são altos porém, isso não significa que aconteça em todo o Japão. Stefanny conta que os professores da escola do Dani são muito atenciosos e preocupados, ela sente que eles realmente se importam com seu filho. Recentemente eles tiveram a visita das senseis do Daniel, elas costumam visitar a casa dos alunos para saber mais sobre eles, a preocupação dos pais e a rotina da criança.

Para finalizar essa reflexão, nada melhor do que a visão de Stéfanny que reside no Japão e é mãe:

“Eu gosto muito dos valores transmitidos às crianças. A disciplina, o senso de cidadania, o respeito ao coletivo, enfim a cultura em geral! O que eu vejo como um ponto negativo é que depositam muita responsabilidade em cima dos pequenos. Não devemos esquecer que são apenas crianças e que devemos deixar que ajam como crianças ao invés de tentar transformá-los em robôs obedientes. O meu maior temor é de que meu filho perca sua essência e passe a ser padrãozinho. Eu quero que ele se adapte, mas não que de molde!”

Gostou de saber sobre o ensino do Japão? Deixei seu comentário abaixo e também sugestões de temas.

Nos vemos novamente! Mata aimashou! また会おう! 

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